Entre memórias e associações

Sempre fui um curioso das coisas, mas na verdade isso não foi sempre. Talvez fosse o meu desejo de ser um curioso de tudo e, obviamente, que por não me conhecer pessoal ou internamente e, por isso, não sabe lidar com minhas coisas, que procurava no real, no “óbvio” ou no consciente ou naquilo que se apresentava diante dos meus olhos, as respostas que procurava. Com o passar do tempo e a minha curiosidade, mesmo assim e aumentando – em que pese, sempre tive uma questão de algumas pessoas até referirem sobre minha inteligência (segundo eles; eles o dizem), o que não concordo, pois acredito que associar muitas coisas e ter uma memória muito ampla (no meu caso para coisas boas e ruins) tem, naturalmente, ambos os lados: bons e ruins. E ninguém nasce sabendo mas buscar o conhecimento é de cada um. E por essas associações, esses insights, por vezes, era recriminado por algumas pessoas escutando isso: “não fala demais; não tem que falar isso; não tem que falar aquilo” o que por um momento concordava, mas com o tempo, sem tirar a razão dos que falaram, sentia-me podado, de certa maneira. E isso ia podando meu jeito de ser, o que provavelmente é um dos motivos que eu tenha buscado a psicologia, uma vez que acredito que “cada um é cada um”. Como sempre falo, o que aprendi com um amigo,  que cada um tem as suas coisas, seus desejos, seus medos, seus prazeres, sua vida e nesse sentido, em que professores –  muitos professores me ajudaram a perseverar na escrita – seguir no caminho da abstração – principalmente em filosofia, na própria psicologia e Sociologia, além de outras, também comecei a ter mais segurança daquilo que eu achava que poderia colher frutos com as minhas associações e memórias. Nessa busca, obviamente que fui me perdendo um pouco porque eu tinha dificuldade de associar outras situações, em especial na clínica, e um dos meus objetivos era resolver essa situação, tanto que busquei avaliação psicológica para melhorar nesse viés, baseado no meu conhecimento, que é pouco de psicanálise, mas com muito aprendizado com os professores, psicoterapeutas, colegas e alunos também. Além disso, nas leituras diversas de literatura e tudo que se puder ler. Inclusive ler é algo que proporciona você enxergar seu potencial. O potencial de cada um. Todo esse aprendizado, ajudou-me a não olhar para aquelas coisas que eu citei lá atrás, no início do post; não olhar para aquelas coisas que estão só “na frente”, aquilo que eu vejo, aquilo que me falam, mas buscar olhar para aquilo que não é; para aquilo que está na história pregressa; e questionar: como se chegou a essa situação? Como as coisas se apresentam desse jeito? Quem disse que é assim? Para uns, ser questionador é um problema; para mim, como psicólogo, é um trabalho que me realiza. E isso é muito importante no fazer psi.  Acredito nisso, pois busco escutar o que a psicanálise ajuda a enxergar (entendeu?); a buscar escutar aquilo que o paciente não disse; buscar, dentro da interpretação do sujeito, a sua verdade. E isso não é fácil e certamente é assunto para muitos mais posts.

Psicólogo Cleuber Roggia

link da imagem, aqui.

Psicoterapia

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