Psicoterapia

Da importância dos Mecanismos de Defesa

Talvez você não tenha escutado ainda a respeito de “o tempo do paciente”. Mas o que será isso? Esse “tempo”? Tentarei explicar. Somos diferentes uns dos outros. A realidade de um é diferente da realidade de outro. A história de um é diferente da história de outro. E nesse sentido, a forma como cada um lida com seus problemas é diferente. Importante frisar que o psicólogo trabalha com a demanda que chega até seu consultório, ele não busca a demanda, não faz, e nem deve fazer, publicidade do tipo: “faça terapia por 20 reais”; “busque a psicoterapia para resolver seus problemas”; “resolvo seus problemas em 24 horas”. Enfim, uma infinidade de situações que poderiam ser utilizadas para captação de clientes. mas a psicologia tem, sobretudo, que primar pela ética e pelo respeito ao paciente. O respeito primordial pelo seu tempo. O tempo do paciente. Você já deve ter indicado algum psicólogo que você conheça para um amigo. Obviamente para ajudá-lo, informado ao psicólogo e perguntado se o paciente indicado procurou o serviço. Não sei como devem agir os demais. Falo por mim. Quando isso ocorre sempre digo: “olha, não me procurou, mas acredito que quando chegar o tempo da sua procura, vai acontecer”. Muitas vezes ou na maioria das vezes, a demanda vem do outro. É do outro,e nem sempre do sujeito encaminhado. Portanto, são milhares de questões pontuais e variáveis que estão ao entorno de um paciente que é encaminhado ou que busca a psicoterapia.

Essa introdução tem o objetivo de abrir caminho para a importância dos mecanismos de defesa para o sujeito. Para tanto, alguns mecanismos de defesa cito aqui, com breve explicação: fantasia (cria uma situação diferente da realidade), identificação (se identifica com o problema de um outro – sentir pena), formação reativa toma uma determinada ação para encobrir outra), projeção (projeta no outro seus problemas – fulano é isso, tem isso), compensação (compensa uma frustração com uma qualidade sua – fui mal na prova, mas sou bonito e querido), negação (nega em primeiríssima mão seus problemas – não, não fui; jamais faria isso; eu não preciso de ajuda), regressão (regride o comportamento ficando vulnerável – um adulto que se comporta como adolescente em determinada situação), racionalização (funciona mais no pensamento do que no sentir – evita sentir, tudo tenta resolver de forma lógica, negando o sentimento, evitando sempre chorar, por exemplo) dentre outros. Com relação aos mecanismos mais usados, são os seguintes, além de outros: negação, repressão, regressão, deslocamento, isolamento, racionalização. 

Mas clínica e dinamicamente qual a importância dos mecanismos de defesa? Pois bem, os mecanismos de defesa como o próprio nome diz, servem para que o sujeito se defenda da angústia que lhe importuna. São de suma importância para a sobrevivência psíquica, digamos assim, ante aos “perigos” e “medos’ que circundam seu momento. Essa angústia patológica incomoda tanto que o sujeito neurótico precisa dar conta e, para tanto, ele cria de forma inconsciente tais mecanismos para então lidar com tudo que lhe aflige. Por um dado momento eles funcionam, mas acabam por pesar, sobrecarregar e desgastar a energia psíquica do indivíduo. Um exemplo simples que dou, como uma analogia, é o seguinte: “você precisa fazer uma viagem de automóvel numa distância de 100 km. Seu carro consome 1 litro de combustível a cada 10 km e, fazendo essa conta, atingirá o objetivo com o suficiente de combustível. Mas como a angústia patológica está muito intensa, os mecanismos de defesa, durante a viagem, começam por exigir mais do sujeito e, nesse sentido, sem perceber, de forma inconsciente, você pisa mais no acelerador e, aos 80 Km de distância, o combustível acaba. Resumo: sem notar, gastou-se mais combustível do que o ideal; mas foi importante, no momento, uma vez que conseguiu lidar com a angústia que veio á tona e evitá-la para que não incomodasse tanto. Entretanto, faltaram os 20 km para atingir o objetivo e então surgem os problemas de como fazer para atingi-lo” (terá que ir a pé, esperar uma carona, correr riscos de algum infortúnio)”. É um exemplo simples, uma analogia grotesca, mas que busca mostrar o desgaste que a utilização dos mecanismos de defesa podem ser eficientes, mas não eficazes. E por não serem eficazes, quando chegar no “tempo do paciente”, então este procurará ajuda e a psicoterapia tem por objetivo, portanto, de ajudar o paciente a tornar consciente aquilo que inconscientemente o faz consumir energia demais a ponto de atrapalhar a sua qualidade de vida: relações interpessoais, noites mal dormidas, dificuldades de alimentação, impulsividade, raiva, perda de emprego, dentre outros.

Por fim, a importância dos mecanismos de defesa são eficientes e eficazes desde que não atrapalhem o cotidiano e a qualidade de vida do sujeito. Do contrário, a busca pela ajuda será necessária para que o paciente admita algumas situações às quais ele faz de um tudo par não admitir (negar, projetar, racionalizar), bem como para aliviar a angústia, a tensão (exemplo: dores nos ombros, dores físicas) do peso que carrega sem se dar conta.

Psicólogo Cleuber Roggia

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