Psicoterapia

Você sabe o que é filofobia?

Eu poderia escrever e dar o conceito de filofobia de uma forma rápida, mas isso está bem claro na internet. Só buscar no google. E eu sei que pesquisa de tudo. Mas conceito por conceito é conceito. No viés psicanalítico se trabalha a questão no sentido das fobias. Mas o que é um fobia? É um medo incontrolável e irracional. Em sendo assim, trata-se de algo inconsciente que toma conta do sujeito a ponto de ele evitar determinadas situações que se identificam com as situações anteriores que são muito doídas para quem sofre com isso.

Quatro letrinhas que formam a palavra MEDO e essa é a fonte de todas as fobias. Cada um que sofre dessas fobias ,busca no real algo que possa dar conta disso a ponto de lidar melhor ou tentar lidar. Um exemplo bem clássico é o medo de elevador, por exemplo, onde o sujeito evita tal recurso que lhe ajuda a subir mais rápido para andares superiores, por medo de que ali fique trancado, preso ou que o elevador venha a cair. E isso gera medo e impotência. Enfim, a fobia é um sofrimento que faz o sujeito buscar algo na realidade para dar conta do seu sofrimento, bem como faz com que o sujeito evite situações que possam reavivar aquele sentimento de pavor, medo, impotência tamanha e significativa.

Mas quando é que uma fobia atrapalha? Em primero lugar, ter medo é algo natural. O medo é uma defesa necessária para nós. Te muito medo até é aceitável, mas o medo irracional, inconsciente é diagnosticado como fobia quando a vida do sujeito fica prejudicada nas diversas áreas como relaciomaento pessoal, trabalho, sono, alimentação, dentre outros.

Tá, já entendi, mas e a tal da filofobia? Pois então, a filofobia é um termo usado para alguém que tem medo de se apaixonar, justamente pelo medo de reviver uma situação traumática que viveu e tem o medo de repeti-la. Em consequência disso, o afastamento de situações como novos relacionamentos, acaba sendo o elevador que eu descrevi lá em cima do post: “eu evito me relacionar por medo não só de me apaixonar, mas de reviver algo não prazeroso que vivi e ter que passar pela dor da perda. Portanto é o medo muito mais de perder do que passar pela situação de novo. E a fórmula mágica é uma só: dentro do tempo de cada um, é enfrentar.

Perder é de nós. Por estarmos vivos, perdermos algumas coisas. No princípio de tudo, perdemos o conforto anterior ao nascimento que é a coisa boa de estar na barriga da mãe. Depois, perdemos o seio da mãe. Mais tarde, perdemos o conforto das fraldas para a liberdade de ficar sem elas. Perdemos os dentes de leite para ter dentes para sempre. Ainda, perdemos mais adiante o amor da mãe porque o pai não deixa que o menino “case” com a mãe por quem ele é apaixonado, por exemplo, no complexo de édipo, norteador de muitas coisas na nossa vida, em especial e especificamente no homem.

Em que pese que perdemos algo, a perda é algo que antecede ou abre a porta para o ganho. Perder é ganhar. No final das contas mais ganhamos do que perdemos. Depois de enrolar um pouco, mas acredito necessário ser assim, a filofobia ou qualquer outra fobia é diagnosticada em pacientes que, sim, tiverem vivências amorosas nada prazerosas, mas que anteriormente a isso, não obtiveram na infância, não por culpa de alguém, algo que não conseguiu dar o suporte suficiente pra esse “lidar”.

E como eu faço pra resolver isso? Pois então. Diante do que escrevi, a psicoterapia auxilia para que o paciente busque, com o auxílio técnico e acolhedor do psicoterapeta, tornar consciente aquilo que é inconsciente. São nas associações produzidas nos setting terapêutico que tais situações vivenciadas, revividas são, portanto, elaboradas. Como sempre digo: uma ferida sempre estará lá: ou aberta ou cicatrizada. Aquilo que é elaborado é cicatrizado. O que não é, permanecerá uma ferida aberta, será o gatilho pronto para ser acionado quando surgir a cena que aflige o sujeito e que pode ser mexida de forma mais incisiva e sofrida.

E para evitar esse sofrimento, cada um tem o seu tempo seja nas fobias, seja na filofobia que é tema desse post. E é no “recordar, repetir e elaborar”, texto clássico de Freud que o sujeito pode vir a lidar melhor com isso. Eu escrevi lidar. Porque problemas não se resolvem, a gente aprende a lidar com eles. E assim significar e ressignificar a questão de que perder é ganhar. E, portanto, busque enxergar e não apenas ver.

Psicólogo Cleuber Roggia

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