Psicoterapia

Quantas vezes você disse sim ao invés de não?

Vamos falar de sim e de não? Quem disse que o sim é sim e que o não é não? Um sim pode, muitas vezes, ser um não disfarçado e o contrário também. É muto comum as pessoas terem a dificuldade de dizer o não na hora de dizer o não, bem como o sim na hora de dizer o sim. Parece confuso, não? Ou sim? O fato é que, na verdade, uma palavra, qualquer palavra que seja e que nomeia um sentimento, sempre será diferente para cada um de nós. Nunca, nunca mesmo o sim ou o não de um, será o sim ou o não de outro. Como disse, palavras nomeiam sentimentos mas não os expressam da forma que eles são, justamente porque isso é impossível. Sim, é impossível. Jamais nossas palavras conseguirão dizer o que e como sentimos. Elas expressarão, para um melhor entendimento, o sentimento que se convencionou com a devida palavra. Por exemplo: se é dito “estou feliz por tal acontecimento”, apenas está se demarcando que naquele momento se é feliz por aquele acontecimento ou  soma de acontecimentos. E friso que o sentimento de um pode ser, no máximo, semelhante ao sentimento de outro, mas nunca idêntico. Sabe por quê? Porque cada um de nós tem uma história diferente. O dia de ontem diferente. O instante diferente. A infância diferente. O escutar. O enxergar. O perceber. O sentir. O experimentar. Tudo isso é diferente para cada um de nós. E nesse viés, não é diferente o dizer “sim” e o dizer “não”. Cada um permitir-se-á a dizer sim ou não, a depender da ocasião, se a sua história de vida permitir. São reflexos da vida pregressa que nos dão o respaldo ou não para enfrentar situações, enfrentar perdas, enfrentar os obstáculos que a vida nos oferece. Não há escapatória. Não adianta fugir de nós. Cada um tem ou não os atributos suficientes para permitir-se a dizer sim ou não, respeitando a si mesmo. Muitas pessoas tem dificuldade de dizer não e acabam por aceitar mais do que deveriam de outros sujeitos ou determinadas situações que enfrentam. Já outras, tem facilidade ou menos dificuldade, justamente porque que desenvolveram-se num ambiente que proveu segurança ou menos insegurança. Um ambiente seguro, por exemplo, permite a frustração se fazer presente para que o indivíduo aprenda a enfrentar a vida sabendo, que encontrará frustrações durante seu percurso. Uma pessoa segura teve em seu ambiente a possibilidade de enfrentar a frustração, lidar com ela e logo ali na frente saber que o amor ao seu redor era muito maior que aquele momento frustrante. O sujeito inseguro, é o, digamos, contrário. Frustrar-se é parte inerente do desenvolvimento humano. E é aí que o sim e o não (três letrinhas cada uma) tem, na vida adulta, a repercussão bilhões de vezes maior que seu tamanho nas letras ou na palavra (sim, não). Em suma, muitos dizem sim ao invés de dizer não. Muitos dizem não ao invés de dizer sim. E é aí que as oportunidades da vida vão ficando pelo caminho e a vida passa a ser uma sobrevida. Se você tem essa dificuldade, não espere mais. Diga sim pra você. Diga não também. Procure ajuda.  A Psicologia está aí para isso. Escute-se ao invés de se ouvir. Onde está escrito que o sim é realmente sim e que o não é realmente não?

Para aqueles que não conseguem dizer não, vão umas observações (ou questionamentos) que eu acho que podem ajudar:

  • dizer não é, na maioria das vezes, dizer sim pra você;
  • dizer sim, muitas vezes, é dizer não pra você;
  • quando você deixa de dizer o que gostaria, por medo de magoar o outro, na verdade você tem medo de magoar você, mas projeta esse medo no outro; Já tinha pensado desta forma?
  • quando você diz mais sim e menos não para o outro, você deixa “portas abertas” para que não se precise bater para entrar, além de estar vivendo a vida do outro;
  • quantas vezes você já deixou de dizer sim quando gostaria de dizer não?
  • quantas vezes você deixou de dizer não, quando gostaria de dizer sim?

Psicólogo Cleuber Roggia

Categorias:Psicoterapia

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