A Psicologia é quem escolhe: feliz Dia do Psicólogo

Um dia sentei, chorei e fui acolhido. Um dia me falaram e eu não ouvi, mas mais adiante isso ajudou-me a escutar. Um dia me pegaram no colo, cuidaram de mim. Cresci em meio a amor e valores. Um dia não vi, mas isso me ajudou a enxergar. Um dia me estenderam a mão. Um dia esqueceram seus problemas em detrimento aos meus. Aprendi a retribuir dentro daquilo que entendo o que é reciprocidade. Um dia dormi e nesse mesmo dia sonhei. E, por sonhar, acordei. Um dia, mal falaram de mim. Julgaram-me. De alguma forma, também já fiz isso, não sou hipócrita, mas me senti mal e doente. E, portanto, silenciei e ouvi. Silenciei e escutei. E acredito que aprendi o respeito. Um dia gritaram comigo, eu me assustei. Daí entendi que não se grita, e que falar não há necessidade alguma de abrir a boca. Aliás, “chorar é uma das belas formas da alma dizer”. Um dia engatinhei. Caí. Levantei. E assim aprendi a andar. Um dia fui amado e aprendi a amar. Um dia viajei e aprendi que é muito bom voltar pra casa. Um dia fiz birra e com o silêncio de meu pai, entendi que ele estava me ensinando paciência e a escutar e escutar-me. Um dia rebati minha mãe, e então percebi que falhei. Um dia decidi escolher e dentre tantas escolhas, escolhi a profissão que busca escutar, na minha linha teórica, aquilo que o paciente não diz. Não. Acho que a Psicologia me escolheu. Um dia, depois desse dia, entendi o quanto e como é difícil escutar e ser empático com o outro. O quanto é difícil desvencilhar-se a cada dia dos julgamentos e dos preconceitos para estar ali, sentado, escutando. E a cada dia de escuta um aprendizado. Mas em especial, o aprendizado de que para que tudo isso acontecesse, de eu estar ali, muitas pessoas construíram comigo: Deus, meus pais, família, amigos do peito, colegas, professores, pacientes. Um dia me pegaram no colo. Um dia sentei e chorei. Um dia me acolheram. Um dia escutei. Um dia enxerguei. Um dia me estenderam a mão. Um dia fui arrogante e aprendi a buscar ser humilde. Um dia prendi e brincar nunca mais deixei de fazê-lo. Um dia… um dia aprendi a perder e, por perder, aprendi a ganhar. E assim, diante de tantas situações, tantos momentos, tantos anos, dias e tantas horas, e nada, nunca, nada mesmo, fiz sozinho. Nem nunca farei. Quando me dizem que eu ensino, enganam-se, pois eu mais aprendo. Quando dizem que ajudo, acredito que repasso aquilo que aprendi. E aprendemos juntos a escutar, a enxergar, a caminhar, a enfrentar os obstáculos, a entender que nunca estamos sós, apesar de que precisamos da integridade do nosso eu. Da nossa subjetividade. Aprendemos a nos dar as mãos e a andar. E andar. E andar. É assim que são as coisas. É assim que é a vida. É assim que somos: o que fomos, os que foram, os que são, o que somos. Um dia não escutei e por isso aprendi a escutar. Um dia não vi e aprendi a enxergar e a estender a mão, acolher, chorar e, por chorar, a sorrir.

Feliz dia daquele que sente tudo isso que você sente.

Feliz dia do Psicólogo!

Psicólogo Cleuber Roggia

Psicoterapia

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