A empatia que falta ao outro é proporcional a falta do respeito e amor próprio

É notória a reclamação, se assim posso nominar, no que tange à falta ou diminuição contundente da empatia. De encontro a isso está o egoísmo. Antes de fazer uma colocação mais elaborada é preciso que eu esclareça, aqui, sobre os dois assuntos. Pois bem, a empatia é, no seu mais simples conceito, “a capacidade de se colocar no lugar do outro”. Já o egoísmo, é fundamental para o sujeito desde que seja saudável e não exacerbado a ponto de prejudicar as relações. Importante no sentido de amor próprio.

A empatia ou se colocar no lugar do outro é algo que cada vez está ais distante do cotidiano. Importante destacar que é natural do ser humano ter, no campo das relações, um número sem fim destas em muitas áreas, como a familiar, a do ciclo dos amigos, do ciclo do trabalho, escola universidades, dos vizinhos, enfim, uma infinidade de possibilidades de relações que se apresentam para cada um. É nessa diversidade, diante de uma sociedade que vivemos, que tem a dificuldade escancarada de lidar com a razão e a emoção, que se apresentam intrínsecas as peculiaridades de cada relacionamento. Como temos muitas deficiências no ensino de base, por exemplo, (falta absurda de investimentos no quadro de professores, da mesma forma nas estruturas escolares e curriculares, dentre outras), naturalmente o reflexo disso ou dessas questões aparecem na violência e na desigualdade. Com todo esse conjunto de fatores, de uma certa forma e até determinado ponto, não há como a empatia não ficar prejudicada se o sujeito não tem investimento de quem deveria prover isso com políticas sociais. Esse é um viés, mas um outro e mais preocupante é: quando a falta de empatia aparece nas camadas sociais mais favorecidas. E é aqui que está o grande problema e a grande queixa. Em tese, os mais favorecidos tem maior e muito maior acesso à informação, ensino, oportunidades e, mesmo assim, de alguma forma a empatia que seria natural, volta-se para o lado contrário e cede lugar ao egoísmo. É bem verdade que informação demais intoxica o sujeito e assim o é atualmente. Tanto que o afasta das relações e, pior, muito mais da relação consigo mesmo. E é justamente esse o ponto: a empatia que falta ao outro é proporcional ao respeito e amor próprio individual, onde a subjetividade ( o eu) está distante do seu devido lugar. Se notarem, em poucas palavras citei vários problemas que podem refletir e ser reflexo do “eu” no “não-eu”.

Quanto ao egoísmo, de uma certa maneira, no abordar sobre a empatia, na falta desta e em outras palavras, está implícito o egoísmo, no caso o egoísmo exacerbado, aquele que rompe as fronteiras da subjetividade do sujeito. Um “eu” que se afasta dá a possibilidade de um “não-eu” assumir uma posição de dominância e, sem perceber, ser dominado pela massiva busca de alcançar os desejos mais proeminentes e, assim, impulsivo, “encher-se daquilo que não é, ao invés de dar o tempo de ser”. Uma vez cheio, inchado, abarrotado, utiliza dos mecanismos  de defesa mais primitivos (negação, projeção, racionalização, dentre outros) a ponto de esgotá-los e, sem perceber, esse egoísmo exacerbado que afasta o sujeito de si mesmo e, em consequência, afasta o sujeito de suas relações, recebendo em troca o vazio de olhar para trás e não ver, não enxergar ou estar muito distante do seu “verdadeiro eu”. É esse intervalo (vazio) do retorno do caos plástico, travestido de consumo e desejos sem objetivos para o sujeito, que faz com que este, cansado do uso de seus mecanismos de defesa contra o efêmero lugar que acreditava que ocuparia, cai em depressão, cai sozinho e sem forças, sem armas ou sem a potência delas para se reerguer.

A pergunta que fica ou uma das é: como se colocar no lugar do outro se o sujeito está distante dele mesmo? Naturalmente, num primeiro momento, impossível. A realização ou falsa realização de desejos de forma compulsiva tem afastado as pessoas das pessoas e delas mesmas. Explica-se aqui a falta de empatia atualmente: uma empatia que praticamente inexiste devido a um egoísmo que afasta o sujeito inclusive dele mesmo, por estar a realizar desejos com coisas efêmeras. E, assim, o sofrimento psíquico fica determinado porque o egoísta exacerbado sofre sem perceber e também faz sofrer, pois deixou-se inundar como o que o “ter” que nada mais é que o “não ser”.

Psicólogo Cleuber Roggia

Psicoterapia

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